Papeando sobre a Eliminação do Flamengo no Mundial de Clubes da FIFA 2025
Flamengo 2 × 4 Bayern: lições táticas (do Papeando sobre Futibó) de um jogo cujo resultado poderia ter sido outro
“Fácil”, disse o goleiro alemão e mito, Manuel Neuer do Bayern de Munique. Entenda.
As palavras de Neuer estiveram longe, muito longe de serem desrespeitosas. O grande goleiro sabia bem que o Bayer de Munique precisou somente de uma boa estratégia, bom posicionamento e atenção para jogar em cima dos erros do Flamengo, que foram muitos. A impressão era de que os jogadores e o técnico Filipe Luís estavam desnorteados e alguns até mesmo nervosos. Apesar do elenco qualificado, nem mesmo o mais otimista dos jogadores do Bayern imaginaram que seria tão fácil, pois o esforço não foi tão grande da parte do time bávaro. Infelizmente, o Mengão praticamente entregou o jogo. Equipe encurralada na própria pequena área e ausência de um 9 que incomodasse Dayot Upamecano e Jonathan Tah. Faltaram os contra-ataques rápidos e bolas em profundidade. Havia qualidade para sonhar; o desenho, porém, pedia ajustes simples que não vieram.
1. O prisioneiros rubro-negros na pequena área
O técnico Kompany do Bayern, inteligentemente adiantou as linhas logo aos 3 min, empurrou o Flamengo para dentro da área de Agustín Rossi e ganhou de presente dois gols rápidos: escanteio desviado contra por Pulgar aos 6′ e chute de Harry Kane aos 9′. A estatística da ESPN registrou 12 desvios bávaros dentro da “zona do goleiro” nos primeiros 30 min — prova de que ficou gente demais onde o jogo pede marcação zonal e saídas rápidas. Foi quando o Mengão virou refém da linha alta do Bayern na pequena área.
2. Pulgar: amarelo, fratura e vazio no meio-campo
Já baleado tão cedo pelo cartão de visitas alemão, o chileno lesionou o quinto metatarso do pé direito aos 42′ e foi para o hospital. Danilo teria sido reposição natural para reforçar a defesa e deixar um terceiro zagueiro — Léo Ortiz que sabe sair jogando e ainda poderia ser a sombra de Harry Kane — para mais proteção e opção na saída de bola. Filipe Luís, contudo, optou por Allan, manteve a dupla de zaga exposta e viu Goretzka com espaço suficiente atrás da linha de frente elevar o placar para o 3-1 ainda antes do intervalo, jogando um balde de água fria na reação rubro-negra após o golaço de Gérson, quando Neuer nem viu a cor da bola.
3. Ausência de um pivô entre os zagueiros alemães
Sem Pedro, a referência central inexistia. Plata ficou isolado; Gerson e Arrascaeta, espremidos pelas tomadas de Kimmich. Pedro, mesmo a 80% da forma, atrairia a atenção e incomodaria entre os zagueiro Upamecano e Tah, podendo disputar segundas bolas e servindo de pivô com passes rápidos para Wesley França na direita ou para Ayrton Lucas na esquerda, atacarem em profundidade — movimento que o próprio Filipe ensaiou no Brasileiro. Explicando, minhas substituições envolveriam uma linha de 3 zagueiros (Ortiz colado em Harry Kane sem a bola e promovendo a saída de bola, quando em posse), dois laterais mais defensivos (Varela e Alex Sandro), dois excelentes passadores à frente da zaga (Gérson e Jorginho), dois laterais habilidosos e velozes na linha de frente (Wesley França e Ayrton Lucas), bem abertos; e por fim, Pedro, como já dito, de pivô, atormentando com sua presença, os ótimos (mas, não infalíveis) zagueiro do Bayern de Munique.
Assim ficaria meu time:
Rossi; Varela, Danilo, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Wesley França, Jorginho, Gérson e Ayrton Lucas; Pedro.
Resumindo:
Três zagueiros para “grudar” em Kane e liberar alas;
Rodízio rápido: Wesley e Ayrton voltam a fechar os flancos sem a bola, mas viram pontas quando Rossi fizesse a ligação direta com a bola longa — fuga do toque perigoso na pequena área que gerou tanto risco;
Bolas longas nas costas de Laimer e Stanisic forçariam o recuo da defesa alemã, abrindo campo para construir (princípio citado por Filipe desde a estreia).
4. Luiz Araújo
Todos na diretoria, na comissão técnica e na torcida sabem o quanto Luiz Araújo entrega de qualidade e empenho. Mesmo sendo um dos melhores em campo por sua entrega ao time, por voltar e recompor o sistema defensivo, ele estava visivelmente nervoso, desestabilizado por conta do placar adverso em tão pouco tempo de jogo. E foi nestes momentos de entrega que ele cometeu duas falhas cruciais. Na primeira, após o Flamengo diminuir e “voltar para o jogo”, ao invés de dar um chutão para frente ele praticamente entregou a bola de bandeja para Goretzka com muita liberdade colocar a bola no fundo do gol do mal posicionado Rossi. E na segunda falha, ele tentou driblar quatro jogadores adversários perto da entrada da área do Flamengo, quando deveria ter dado um chutão para frente (ou aquela bola longa para pegar os alemães de saia curta). O resultado nós sabemos: quarto gol do Bayer de Munique, o segundo de Harry Kane.
5. Pontos positivos que merecem elogio
Coragem para trocar passes curtos mesmo sob pressão — filosofia que deu 3-1 sobre o Chelsea na fase de grupos;
Rossi salvou três finalizações de Sané e Coman que evitaram a goleada;
Gerson (“coração do time”) marcou e pisou na área adversária para diminuir;
Elenco tem peças versáteis: Wesley França e Ayrton Lucas podem virar alas ofensivos, Danilo pode atuar numa linha de três zagueiro. Inclusive, diante do retorno de Matías Viña, creio que Ayrton Lucas pode ser aproveitado como meia-atacante pelo lado esquerdo, visto que suas infiltrações já mostraram ser de grande valor.
6. Moral da história
Mesmo com um elenco que não deve nada a ninguém, o Flamengo sucumbiu ao poderoso Bayer de Munique. Mas, muitos de nós não apenas esperávamos, como sabíamos que poderia ter sido diferente. De qualquer forma, parabéns ao excelente trabalho que o técnico Filipe Luís tem desenvolvido junto com seu staff. O Flamengo é grande, se classificou com maestria na primeira fase e em primeiro lugar no seu grupo. Isso revela a qualidade e capacidade que este esquadrão tem.



